segunda-feira, 20 de junho de 2011
sexta-feira, 7 de maio de 2010
quarta-feira, 4 de março de 2009

Desculpe por apenas encontrar um capítulo de uma história que mais parece um romance em que o final parece ser previsível; coisa que não é. Logo que me acostumar com o blog, escreverei assuntos que talvez você goste e lhe ajude. Por enquanto peço paciência, por favor. Garanto que postarei mais assuntos além de minhas histórias.
terça-feira, 3 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Tem um caminho que me intriga muito. Ele é comprido, estreito e nele há tantas coisas que, quando vemos outros caminhos, podemos nos confundir - se não prestarmos a devida atenção. Por isso veremos como alguém consegue encontrar o caminho certo.
O Condado Pequeno era uma vila de casas humildes e baixas demais e cômodos apertados. As pessoas eram pobres mas tinham suas coisas, como os animais que caminhavam livremente entre as crianças e as moças. Porcos, patos, galinhas; lama, brejo e um poço ficavam bem no meio do lugar. Não havia estrada pavimentada ou jardins bonitos de baixo do parapeito das janelas, chovia muito e todas as flores caíam em meio as corredeiras que se encontravam com o atoleiro da estrada escura depois do grande portão de entrada para a vila.
Ninguém jamais se incomodara com tudo isso, os habitantes estavam ocupados demais com o moinho, com rocas , animais, lã e algodão. Ocupados demais em caçar na floresta e poder voltar, ou seja, preocupavam-se com o que comer, o que vestir e quantas moedas ter.
Nem mesmo o fidalgo, o único do lugar, o governador, conde William, se incomodava com a situação das pessoas da região. Mantinha-se seguro dentro de sua casa grande de quatro torres altas e janelas fechadas , com cortinas cinzentas e outras escuras como o breu da noite. Quase nunca saía de seus aposentos sinistros. E quando resolvia passear, todos davam passagem para sua carruagem negra passar, movida por dois cavalos enormes de pêlo marro e lustroso. Sempre atropelavam alguma coisa, no entanto ninguém dizia nada. Apenas olhavam aquela carruagem correr portão à fora jogando lama e esterco para todo lado, até descer a estrada fazendo a curva da floresta. A maioria dos animais atropelados eram de Magote, um homem gordo que possuía muitos patos e porcos que corriam livremente. Ele não se incomodava quando o conde matava um de seus animais, mas os outros se incomodavam com Magote por causa do incrível fedor dos porcos e do absurdo de sujeira que deixavam nas portas.
- O que vou fazer? - dizia ele coçando a cabeça lisa e brilhante. Geralmente fazia isso quando estava preocupado. E quando ficava assim, conseguia resolver seus problemas, às vezes de modo desajeitado.
Para cuidar de seus animais havia João, que não era parecido em nada com o pai; mas ele gostava muito do velho.
Ele era um rapaz bem querido e cheio0 de orgulho por se achar mais dedicado do que qualquer outro da vila. Enquanto muitos rapazes dedicavam seu tempo com as artes, música, poesia e aventuras, ele recolhia os porcos para a pocilga, carregava feno e no fim do dia limpava a sujeira dos animais que escapavam nas portas dos outros. E tudo o que os outros rapazes faziam, para ele eram perca de tempo.
João era ocupado, porém tinha uma paixão e um sonho para realizar: casar com afilha do conde e conseguir herdar alguma coisa para sair da pobreza. Não contei? Sim, o conde William tinha uma filha, muito bonita. Poucos a viam, somente quando ela comprava verduras é que as pessoas podiam vê-la descer da carruagem; mas se no dia tivesse chovido ela mesma mandava o condutor descer, sujaras botas e escorregar na lama; ou mandava o vendedor vir e fazer isso. Falavam muitas coisas sobre ela e seu pai, menos de sua mãe que por alguma razão ninguém nunca a vira; para todos isso era um mistério. Porque até mesmo os antigos condes e seus filhos foram vistos, mas suas esposas não. Por isso havia muitas histórias que sussurravam por aí e chegavam aos ouvidos do conde que fazia, apenas sorria e gargalhava quando ia dormir.
Era segunda-feira quando as pessoas saltavam, corriam e procuravam se proteger da lama que caía como chuva pesada e do esterco como granizo num dia frio, porque a carruagem do conde corria alucinada em direção ao portão de entrada e saída. João estava sentado num balde que usavam para aparar água do poço quando ficou completamente sujo, e a carruagem passou atropelando quatro pintos da grande ninhada de seu pai. Mas ele nem ligou, havia ficado de olhos bem abertos a fim de conseguir ver a filha do conde pela janelinha. Não viu, pois estava coberta por cortinas verde-escuras.
- João! - chamou alguém que cuspia porque também tinha lama na boca. Mas ele não escutou, continuava absorto olhando para o portão da vila.
Afortunado era João por ter amigos, amigos de verdade. Ana era um desses, estava sempre por perto para ajudá-lo. Ela era uma mocinha muito jovial e gostava muito dele, digo, o amava. Não como o amor de irmãos, de melhor amigo ou primo, ela realmente o amava apesar de sua pouca idade; e ele sabia disso.
- Bom dia, João - disse Ana, dessa vez ele a notou e esfregou os olhos e o rosto muito sujo.
- Boa manhã, Anafantine.
- Olha, somos o senhor e a senhora sujo.
- Diga apenas por você, sra Sujo, porque vou me lavar assim que eu encontrar o pequeno Jean. Ele vai tomar conta dos porcos quando lhe der uma moeda - disse João levantando-se olhando para uma pequena casa cercada por varas marrons que serviam como cerca. Ali morava Jean, e mais tarde todos souberam de que era Jeana, uma menina. O motivo do pai ter escondido a verdadeira natureza da filha é um segredo que morreu com ele. Nem mesmo a filha sabia o motivo, teve de fingir ser um garoto por ordens do pai. - Ele é um tanto estranho, mas vai fazer o serviço.
- Como conseguiu uma moeda?
- Com o xerife, ontem - respondeu João. - Ele vinha trazendo dois vagabundos amarrados e um deles tentou fugir batendo o próprio corpo no xerife. Por sorte veio cinco soldados para ajudá-lo. Quando todos foram embora, uma moeda caiu do colete do xerife e eu peguei. Não é tão valiosa quanto pensava, por isso vou usá-la para mostrar ao pequeno Jean como é ter um patrão; ele precisa saber disso para aprender a dar valor ao primeiro emprego quando conseguir.
- Mas ele já trabalha: ajuda o pai a fazer calçados - disse Ana.
- Eu sei. Mas seu pai não lhe dá uma moeda pelo trabalho. Por isso o garoto é esquisito daquele jeito: é preguiça. Dê-lhe um dinheiro para vê-lo se animar.
- E o que estava fazendo sentado que não tentou se proteger da lama?
- A lama não é nada quando se está esperando por ela.
- "Ela"... Sei, está falando da filha do conde. Talvez você não tenha visto, mas foi ela quem atropelou os pintos do seu pai.
- Sei disso. Não importa, eles estavam gripados mesmo, e iam prejudicar os outros; ela nos fez um favor.
João gostava de Ana, gostava mais ainda de seus olhos. Por isso sempre os olhava com admiração, porque eram grandes e cinzentos, e às vezes tinha a impressão de que eram duas janelas que levavam a um lugar estranho e agradável onde poderia ficar livre de qualquer coisa e ser feliz. Um lugar onde apenas ele poderia conhecer.
© 2008, Antônio Osmildo


